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Afinador de Cavaquinho Online

Duas das quatro cordas se chamam Ré, e estão a uma oitava de distância — é aí que quase todo mundo escorrega. O mostrador nomeia a nota e a oitava: deixe a 4ª em Ré4 e a 1ª em Ré5, e as cordas soltas voltam a soar como o acorde de Sol maior que elas são.

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Quatro cordas, um acorde de Sol maior e duas notas chamadas Ré

A afinação padrão do cavaquinho brasileiro é Ré–Sol–Si–Ré, contando da 4.ª corda para a 1.ª: D4 · G4 · B4 · D5, ou seja 293,66 · 392,00 · 493,88 · 587,33 Hz. O mostrador acima mostra as notas em cifra, que é o padrão de qualquer afinador: Dó = C, Ré = D, Mi = E, Fá = F, Sol = G, Lá = A, Si = B.

Essas quatro alturas soletram Sol–Si–Ré — um acorde de Sol maior. É por isso que uma levada nas cordas soltas já sai soando como harmonia, e é boa parte do motivo de o cavaco ser o motor rítmico e harmônico de uma roda de samba: a mão direita nunca está tocando apenas um ruído de acompanhamento.

Repare no que as duas cordas Ré fazem. A corda solta mais grave e a mais aguda são a mesma letra, separadas por exatamente uma oitava — todas as cordas soltas do cavaquinho cabem dentro de uma única oitava, de Ré4 a Ré5. Isso é elegante e é uma armadilha: num jogo brasileiro comum a 4.ª é uma .023 encapada e a 1.ª uma .010 lisa, e um afinador que só diz a letra vai confirmar «Ré» com a maior tranquilidade enquanto você leva uma delas uma oitava inteira para fora do lugar. Aqui a oitava aparece na tela, e o problema acaba aí.

ExperimenteTons de referência para cavaquinho

A primeira aba é a afinação padrão de samba e choro. As outras três são as que você vai encontrar por aí: a de solo, no formato do violão, e as duas afinações reentrantes do cavaquinho minhoto português, em que a corda mais grave é a 3.ª e não a 4.ª.

De que ponta começa o nome da afinação?

Afinação de cavaquinho é escrita nos dois sentidos, e quase ninguém avisa qual está usando. Método brasileiro e português costuma nomear as cordas da 1.ª para a 4.ª ré–si–sol–ré, da prima para o bordão. Cifra em inglês, aplicativo de afinador e dicionário de acordes nomeiam da 4.ª para a 1.ª — D–G–B–D. Na afinação padrão isso não custa nada, porque as letras são um espelho: leia ré–si–sol–ré de trás para frente e você tem exatamente Ré–Sol–Si–Ré.

Em qualquer outra afinação a ambiguidade cobra caro. A afinação reentrante portuguesa é escrita mi–si–lá–ré por quem a usa e Ré–Lá–Si–Mi por todo o resto do mundo; são as mesmas quatro cordas, e ler uma como se fosse a outra coloca a sua corda mais grave no lugar da mais aguda. A regra que nunca falha: identifique a 4.ª corda como a que fica mais perto do seu rosto com o instrumento na posição de tocar, e depois confira nota por nota em vez de confiar no sentido das letras.

Existe uma segunda versão da mesma confusão, mais silenciosa: o número da oitava. Este afinador usa a notação científica, em que o Dó central é C4 e o Lá de 440 Hz é A4. Uma base de dados de instrumentos bastante copiada lista o cavaquinho como D3–G3–B3–D4, uma oitava inteira abaixo do que as cordas realmente soam. As frequências não têm sotaque, então são elas que valem:

CordaNotaCifraFrequênciaCalibre típico
1.ª (prima)D5587,33 Hz.010 lisa
2.ªSiB4493,88 Hz.012 lisa
3.ªSolG4392,00 Hz.018 encapada
4.ª (bordão)D4293,66 Hz.023 encapada

Os calibres são de um jogo brasileiro de tensão média, para uma escala de cerca de 34 cm; jogos leves e pesados mudam um pouco os números, mas o desenho se mantém — duas lisas em cima, duas encapadas embaixo, e a 4.ª com mais que o dobro do diâmetro da 1.ª, apesar de as duas se chamarem Ré.

Como afinar o cavaquinho, corda por corda

  1. Toque com o polegar, não com a palheta. A palheta no aço produz um ataque duro e brilhante que qualquer detector de altura precisa atravessar antes de estabilizar. O polegar, perto do fim do braço, dá uma nota mais redonda e com fundamental mais forte — e o ponteiro para de dançar.
  2. Comece pela 1.ª corda, Ré5. Os métodos seguem a ordem convencional — 1.ª, 2.ª, 3.ª e 4.ª — e há um motivo prático para manter: as lisas finas são as que mais saem de tom e as que menos puxam o braço, então acertá-las primeiro significa menos retrabalho.
  3. Chegue sempre por baixo. Se a corda estiver alta, desça claramente abaixo do tom e suba de volta. Tarraxa e rastilho têm folga, e uma corda que você parou enquanto afrouxava continua caindo sozinha nos dez minutos seguintes.
  4. Depois 2.ª (Si4), 3.ª (Sol4) e a 4.ª (Ré4) por último. Fique de olho no número da oitava na 4.ª — é a única corda em que o erro custa uma corda arrebentada, e não só um acorde torto.
  5. Compare as duas cordas Ré entre si. Toque a 4.ª e depois a 1.ª. Elas precisam soar como a mesma nota em dois registros. Se batucarem uma contra a outra, ou se soarem em uníssono, o afinador e o seu ouvido estão contando histórias diferentes — e quem está certo é o ouvido.
  6. Volte para a 1.ª e passe tudo de novo. Quatro cordas de aço em tensão cheia sobre um tampo pequeno e leve mexem no próprio tampo: a última corda que você afina desafina a primeira. Duas passadas é o mínimo, três num instrumento novo.
  7. Termine com um acorde solto. As cordas soltas são um Sol maior — se ele soar limpo e assentado, acabou. Se alguma coisa azedar o acorde mesmo com todas as cordas centralizadas, olhe primeiro para a 2.ª corda (mais abaixo).

Portugal, Brasil, Madeira, Cabo Verde — um nome, vários instrumentos

O cavaquinho saiu de Portugal e virou um instrumento diferente em quase todo lugar onde chegou — e as afinações foram junto. O cavaquinho brasileiro, o mesmo que todo mundo chama de cavaco, tem o corpo maior e mais fundo da família, 17 trastes ou mais, cordas de aço e palheta. A braguinha (ou machete) da Madeira usa a mesma afinação Ré–Sol–Si–Ré e é o instrumento que emigrantes portugueses levaram para o Havaí em 1879, onde virou o ukulele. O cavaquinho cabo-verdiano veio do Brasil nos anos 1930, manteve a afinação brasileira e costuma ter o braço mais longo de todos.

O ponto fora da curva é justamente o original: o cavaquinho minhoto, do norte de Portugal. Doze trastes, corpo de pouco mais de meio metro, comprimento vibrante de corda perto de 33 cm e quatro cordas de aço lisas, na faixa de 0,23 a 0,30 mm — nenhuma corda encapada. Suas afinações tradicionais são reentrantes, o que nesse instrumento quer dizer uma coisa bem específica: a corda mais grave é a 3.ª, não a 4.ª. A afinação ligada a Braga e divulgada por Júlio Pereira é Ré5–Lá4–Si4–Mi5; o mesmo desenho de intervalos um tom abaixo é Dó5–Sol4–Lá4–Ré5; e a que costuma ser chamada de a mais tradicional do Minho é Sol4–Sol4–Si4–Ré5, com 3.ª e 4.ª em uníssono — que é exatamente por que um jogo minhoto dá o mesmo calibre para essas duas cordas.

Você vai encontrar por aí quem descreva esse Dó–Sol–Lá–Ré subindo a partir de um Dó grave, e o próprio jogo de cordas descarta a leitura. Uma corda lisa de 0,30 mm numa escala de 33 cm chega a cerca de 3,8 kgf no Sol4, uma tensão leve e razoável para um instrumento pequeno; a mesma corda afinada em Dó4 cai para uns 1,7 kgf, frouxa a ponto de bater nos trastes — e não existe encapada no jogo para dar conta dessa nota. Leia a 4.ª como Dó5, acima da 3.ª, e tudo fecha: com as partituras publicadas para o instrumento, com os calibres, e com todas as fontes portuguesas que dizem sem rodeios que a corda mais grave é a 3.ª.

O que o ponteiro pode e o que ele não pode dizer

Este afinador mede em temperamento igual, que é a ferramenta certa para um instrumento trasteado: seus trastes também foram cortados em temperamento igual, então cordas soltas e braço concordam entre si. Só que as cordas soltas formam um acorde de Sol maior, e isso põe um arredondamento conhecido bem no meio do instrumento. A 2.ª corda, Si4, é a terça maior desse acorde, e a terça maior do temperamento igual fica cerca de 14 cents acima do intervalo puro que o ouvido pede. Toque as cordas soltas e é ela que soa um tiquinho brilhante. Não está desafinada — é o preço de poder tocar em qualquer tom —, mas se você estiver gravando um Sol aberto e aquilo incomodar, baixar a 2.ª uns poucos cents é uma escolha legítima, não uma trapaça. Nosso guia sobre cents (em inglês) explica por que as duas respostas diferem por uma quantidade fixa e previsível.

Duas outras coisas que o ponteiro não enxerga. Numa escala de 34 cm os trastes são pertinhos e a corda é curta, então a força da mão esquerda muda a altura: empurrar uma corda de aço contra o traste estica a corda, e o efeito é proporcionalmente maior aqui do que num violão. Se as cordas soltas leem perfeitas e os acordes continuam soando altos, o problema é a sua mão, não a afinação. E o rasgueado forte exige das cordas muito mais do que uma nota tocada sozinha, então um cavaco afinado com delicadeza em repouso pode sair do lugar dentro de um número tocado com garra — por isso quem bate firme afina, toca um samba, e afina de novo antes do que realmente importa.

Perguntas frequentes

A 1.ª corda é o mesmo Ré da 4.ª?

Mesma letra, uma oitava de distância — e esse é, de longe, o erro mais comum ao afinar cavaquinho. A 4.ª corda é Ré4, 293,66 Hz; a 1.ª é Ré5, 587,33 Hz. São as duas pontas do instrumento, não a mesma nota. Se a tela mostrar D5 enquanto você mexe na tarraxa da 4.ª, pare: você está uma oitava acima, e uma .023 encapada no dobro da frequência prevista está segurando quatro vezes a tensão prevista. Toque a 4.ª e depois a 1.ª — elas devem soar como a mesma nota em dois registros, e nunca como um uníssono.

Cavaco e cavaquinho são a mesma coisa?

Sim. Cavaco é o nome do dia a dia do mesmo instrumento no Brasil, principalmente no samba, e cavaquinho é o nome formal; em Portugal ele também aparece como machete, machimbo e braguinha, conforme a região. O que muda de verdade não é o nome, é o modelo: o brasileiro tem caixa maior e mais funda e 17 trastes ou mais, o minhoto tem doze trastes e escala mais curta. A afinação padrão Ré–Sol–Si–Ré vale para o cavaco brasileiro independentemente de como você o chame.

Meu método traz o gráfico D3–G3–B3–D4. Por que este afinador mostra D4–G4–B4–D5?

Porque a numeração de oitavas não é padronizada nas referências de cavaquinho. Este afinador usa a notação científica, em que o Dó central é C4 e o Lá de 440 Hz é A4. Pelo menos uma base de dados de instrumentos bastante copiada lista o cavaquinho como D3–G3–B3–D4, uma oitava inteira abaixo do que as cordas soam de fato. As frequências resolvem a questão e não admitem discussão: a 4.ª corda tem 293,66 Hz, que é Ré4 na notação científica, e a 1.ª tem 587,33 Hz, que é Ré5. Se o seu livro e o mostrador discordam em exatamente uma oitava nas quatro cordas, é convenção de escrita, não problema de afinação.

Dá para afinar o cavaquinho como as quatro cordas finas do violão?

Dá, e muita gente faz — Ré–Sol–Si–Mi, que muda só a 1.ª corda, de Ré5 para Mi5. É a afinação mais usada para solo no Brasil e a primeira que um violonista procura, porque todos os desenhos de acorde que ele já conhece passam direto para cá. É a afinação do ukulele barítono uma oitava acima. O preço é o acorde solto: em Ré–Sol–Si–Ré as quatro cordas soltas soletram Sol maior, e é por isso que uma levada seca já soa como harmonia; subindo a 1.ª para Mi, aquilo vira um Sol com sexta. O repertório de samba e choro pressupõe Ré–Sol–Si–Ré.

Serve para cavaquinho português, braguinha ou cavaquinho cabo-verdiano?

Serve — o mostrador é totalmente cromático, então ele lê o que você tocar. A braguinha da Madeira e o cavaquinho de Cabo Verde usam a mesma afinação Ré–Sol–Si–Ré do Brasil, então a primeira aba vale sem mudar nada. O cuidado fica com o cavaquinho minhoto do norte de Portugal, cujas afinações tradicionais são reentrantes: em Ré–Lá–Si–Mi e em Dó–Sol–Lá–Ré a corda mais grave é a 3.ª, e não a 4.ª, e em Sol–Sol–Si–Ré a 3.ª e a 4.ª são a mesma nota em uníssono. Escolha a aba correspondente nos tons de referência e afine corda por corda, sem supor que as alturas sobem em ordem.

Prefere o mostrador em tela cheia?

O mesmo afinador funciona em tela cheia — prático na estante de partituras, e ele lembra os seus ajustes.

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