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Afinador de Viola Caipira Online

Numa viola caipira, três dos cinco pares são oitavados: a corda fina soa uma oitava acima da grossa, dentro do mesmo par. É por isso que a nota mais aguda do instrumento não está nas primas, e é por isso que só a letra da nota nunca basta — o mostrador aqui diz a nota e a oitava.

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Dez cordas, cinco pares e só seis alturas diferentes

A viola caipira tem dez cordas de aço em cinco pares, e a regra que organiza tudo é esta: os dois pares mais agudos — primas e requintas — são afinados em uníssono, com as duas cordas na mesma altura, enquanto os três pares mais graves — turina, toeira e canotilho — são oitavados: a corda fina de cada um soa exatamente uma oitava acima da grossa, dentro do mesmo par. É esse desenho que dá à viola aquele brilho de coisa dobrada, que nenhum violão tem.

No cebolão em Mi, o tempero mais usado, as notas por par são Mi · Si · Sol# · Mi · Si, do 1.º par ao 5.º — as três notas de um acorde de Mi maior. Some as oitavas dos pares graves e o instrumento inteiro cabe em apenas seis alturas: Si2, Mi3, Sol#3, Si3, Mi4 e Sol#4. Dez cordas, seis notas — porque a contra-toeira repete exatamente a altura das primas, e a contra-canotilho repete a das requintas. Contando corda por corda: três cordas em Mi4, três em Si3, e uma sozinha em cada uma das outras quatro alturas.

Daí sai a informação que quase ninguém espera: a nota mais aguda da viola não está no 1.º par. Está no meio do braço, na contra-turina — a corda fina do 3.º par — em Sol#4, 415,30 Hz, bem acima das primas em Mi4, 329,63 Hz. E a mais grave é o canotilho, no 5.º par, em Si2, 123,47 Hz. Se você afinar «da mais grossa para a mais fina» sem olhar a oitava na tela, é exatamente aí que se erra.

ExperimenteTons de referência para viola caipira

Escolha o seu tempero. Em cada par oitavado, a corda grossa e a fina aparecem separadas — afine uma de cada vez, abafando a outra com o dedo, porque as duas soando juntas confundem qualquer afinador.

Primas, requintas, turina, toeira e canotilho

Os pares da viola têm nome próprio, herdados do português antigo, e violeiro experiente não fala em «terceira corda»: fala em turina. Vale aprender, porque é assim que a conversa acontece em qualquer roda — e porque o nome já diz se a corda é a grossa ou a fina do par. A regra geral é que o «contra-» é a companheira: nos pares oitavados, a contra é a corda fina, uma oitava acima.

ParNomesCebolão em MiFrequênciasTipo
1.ºprima e contra-primaMi4 · Mi4329,63 Hzuníssono
2.ºrequinta e contra-requintaSi3 · Si3246,94 Hzuníssono
3.ºturina e contra-turinaSol#3 · Sol#4207,65 · 415,30 Hzoitavado
4.ºtoeira e contra-toeiraMi3 · Mi4164,81 · 329,63 Hzoitavado
5.ºcanotilho e contra-canotilhoSi2 · Si3123,47 · 246,94 Hzoitavado

Os nomes contam a história do instrumento: toeira vem de toar, soar forte; requinta lembra a viola pequena e aguda de mesmo nome; e a turina é descrita na tradição como a corda mais chorosa da viola. Há variação regional nesses nomes, como em quase tudo na viola — o que não varia é a estrutura: dois pares em uníssono em cima, três oitavados embaixo.

Como afinar a viola, par por par

  1. Escolha o tempero antes de mexer em qualquer cravelha e deixe a aba correspondente aberta aqui em cima. Cebolão em Mi e cebolão em Ré são o mesmo desenho separado por um tom inteiro — trocar de um para o outro sem querer significa dez cordas em tensão errada.
  2. Abafe sempre a corda que você não está afinando. Num par oitavado as duas cordas ficam a milímetros uma da outra e vibram por simpatia; com as duas soando, o afinador fica pulando entre duas alturas e você persegue um número que não existe. O dedo da mão direita encostado na companheira resolve.
  3. Comece pelas primas (Mi4) e depois as requintas (Si3). São os dois pares em uníssono: afine cada corda pelo mostrador e depois toque as duas juntas, procurando o momento em que o tremidinho entre elas some.
  4. Turina e contra-turina: Sol#3 na grossa, Sol#4 na fina. Confira o número da oitava em cada uma. Este é o par onde mora o erro clássico da viola, e é o único ponto do instrumento em que uma corda fina passa das primas em altura.
  5. Toeira e contra-toeira: Mi3 e Mi4. Você tem uma conferência de graça aqui: a contra-toeira tem exatamente a mesma altura das primas. Toque uma e depois a outra — se não soarem idênticas, uma das duas está fora, por mais que o ponteiro diga que ambas estão centradas.
  6. Canotilho e contra-canotilho: Si2 e Si3. Mesma conferência: a contra-canotilho tem a altura das requintas.
  7. Passe tudo de novo, duas ou três vezes. São dez cordas de aço sobre um tampo pequeno; a soma das tensões mexe no braço e no tampo, então o que você afinou primeiro desanda quando você termina o quinto par. Em viola nova, conte com mais uma rodada.
  8. Termine com um rasqueado nas cordas soltas. No cebolão elas formam um acorde maior completo — se ele soar limpo e encorpado, acabou. Se soar embolado, o problema costuma estar num par oitavado, não nos uníssonos.

Temperos: cebolão, rio abaixo, boiadeira e os outros

Na viola, afinação se chama tempero — e a conta de quantos existem varia com quem você pergunta, porque cada região do Brasil guardou os seus. O cebolão, em Mi ou em Ré, é o mais difundido e o que quase todo iniciante aprende primeiro: as cordas soltas dão um acorde maior inteiro, e boa parte do repertório de moda de viola nasceu em cima disso.

O rio abaixo troca o acorde: Ré · Si · Sol · Ré · Sol, do 1.º par ao 5.º — um Sol maior, com o canotilho descendo até Sol2, 98 Hz, a nota mais grave que uma viola costuma alcançar. Repare numa consequência bonita desse tempero: a contra-canotilho fica em Sol3, exatamente a altura da turina, então os dois pares se reforçam. É a afinação associada a violeiros como Renato Andrade e Almir Sater. A boiadeira é o cebolão com um detalhe mudado: o 5.º par desce um tom. Vale conferir em qual nível ela aparece na sua região — há fontes que a descrevem a partir do cebolão em Mi, com o 5.º par em Lá (é a aba aqui em cima), e fontes que a descrevem a partir do cebolão em Ré, com o 5.º par em Sol. O movimento é o mesmo nos dois casos, e ele quebra a duplicação: a boiadeira tem sete alturas distintas, não seis.

Fora esses, você vai ouvir falar em rio acima, natural, oitavada, paraguaçu, cana-verde e muitos outros nomes, alguns só num punhado de cidades. As fontes discordam bastante nos detalhes de vários deles, então esta página mostra apenas os quatro que aparecem de forma consistente. O mostrador aqui em cima é cromático: ele nomeia qualquer nota que ouvir, com a oitava, em qualquer tempero — o que ele não pode fazer é adivinhar em qual deles você quer chegar.

O ponteiro, os pares e o que só o ouvido resolve

O mostrador é a ferramenta certa para duas coisas na viola: colocar cada corda na altura e, principalmente, confirmar o número da oitava nos três pares oitavados. É o que evita estragar corda e tampo. A partir daí, o acabamento é do ouvido.

Nos pares em uníssono — primas e requintas —, duas cordas podem marcar as duas centradas e ainda assim bater audivelmente entre si, porque alguns cents de diferença somem no ponteiro e não somem no ar. Toque o par junto e ajuste até o tremido parar. Nos pares oitavadosacontece o oposto e é mais sutil: corda de aço não é um oscilador perfeito, seus harmônicos ficam um tiquinho acima dos múltiplos exatos da fundamental, então uma oitava «matematicamente certa» pode soar levemente apertada. Deixar a corda fina um ou dois cents acima costuma encaixar o par. O afinador não está errado — ele mede a fundamental, corretamente, enquanto o seu ouvido julga o conjunto todo dos harmônicos. Para medir o tamanho dessa diferença em números, veja o guia sobre cents (em inglês).

Perguntas frequentes

Qual é a corda mais aguda da viola caipira?

Não são as primas: é a contra-turina, a corda fina do 3.º par, no meio do braço. No cebolão em Mi ela fica em Sol#4, 415,30 Hz, enquanto as primas ficam em Mi4, 329,63 Hz — quatro semitons abaixo dela. Isso acontece porque os três pares graves são oitavados: cada um deles carrega uma corda fina uma oitava acima da sua companheira grossa, e no 3.º par essa corda fina passa das primas. No cebolão em Ré vale a mesma coisa, com a contra-turina em Fá#4. A corda mais grave, por sua vez, é o canotilho, no 5.º par: Si2 no cebolão em Mi, Lá2 no cebolão em Ré e Sol2 no rio abaixo.

O afinador mostra Sol#3 numa corda do 3.º par e Sol#4 na outra. Está errado?

Está certíssimo — é assim que a viola foi feita. Os pares da turina, da toeira e do canotilho são oitavados: dentro do mesmo par, a corda fina soa uma oitava acima da grossa. Só o 1.º e o 2.º par são uníssonos de verdade, com as duas cordas na mesma altura. Se você «consertar» um par oitavado deixando as duas cordas iguais, o instrumento perde o brilho característico e passa a soar como um violão de doze cordas mal encordoado. E, no caminho, você põe uma corda grossa numa tensão que ela não aguenta.

Por que duas cordas de pares diferentes marcam exatamente a mesma nota?

Porque no cebolão elas são mesmo a mesma nota. A contra-toeira (a fina do 4.º par) tem a altura das primas, e a contra-canotilho (a fina do 5.º par) tem a altura das requintas — por isso as dez cordas da viola somam apenas seis alturas diferentes no cebolão em Mi: Si2, Mi3, Sol#3, Si3, Mi4 e Sol#4. Em vez de atrapalhar, isso ajuda a afinar: toque a contra-toeira e depois uma prima; se as duas não soarem idênticas, uma delas está fora, mesmo que o ponteiro diga que as duas estão no centro. A boiadeira é a exceção — com o 5.º par em Lá, ela tem sete alturas.

Posso usar o jogo de cordas do cebolão em Ré para afinar em Mi?

Dá para fazer, mas não é o ideal, e é bom saber o que está acontecendo. Encordoamento de viola é vendido por tempero justamente porque o cebolão em Mi fica um tom inteiro acima do cebolão em Ré: um jogo feito para o Ré, esticado até o Mi, sobe bastante a tensão total sobre um tampo pequeno, endurece a mão esquerda e aumenta o risco de arrebentar corda na pestana. No caminho contrário, um jogo de Mi afinado em Ré fica mole e o som perde foco e projeção. Quem toca nos dois temperos costuma manter dois jogos, ou duas violas.

Este afinador serve para qualquer tempero e para viola de outros tamanhos?

Serve. O mostrador é cromático: ele escuta, nomeia a nota e mostra a oitava, seja qual for o tempero — cebolão, rio abaixo, boiadeira, rio acima, natural, os regionais que só aparecem numa cidade. As abas de tons de referência aqui em cima cobrem os quatro mais comuns; para os demais, afine corda por corda pelo nome da nota, sempre conferindo o número da oitava nos três pares oitavados. Como a leitura não depende de preset nenhum, o tamanho da viola também não importa: o que muda de um instrumento para outro é a altura em que as cordas ficam, e é exatamente isso que o mostrador lê.

Prefere o mostrador em tela cheia?

O mesmo afinador funciona em tela cheia — prático na estante de partituras, e ele lembra os seus ajustes.

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